Agradecemos profundamente a Igreja Reformada em Candangolândia por seu empenho sincero e corajoso em se colocar novamente diante da rica herança Batista Reformada e da confissão que subscrevemos. Em um tempo de tantas vozes concorrentes, é motivo de alegria ver uma igreja local comprometer-se com a fé histórica que recebeu dos Reformadores e dos batistas particulares, reconhecendo que a confessionalidade não é um peso, mas uma âncora. Ela nos preserva de desvios, nos orienta no estudo das Escrituras e nos recorda que pertencemos a uma longa linhagem de irmãos que buscaram, acima de tudo, honrar o Deus trino com entendimento profundo e vida piedosa.
É justo reconhecer também o trabalho fiel e incansável do presbíterio que Deus tem levantado em nosso meio, que nos conduz com zelo pastoral para permanecermos firmes nas Escrituras e atentos aos propósitos da Reforma. Seu esforço constante, tanto no ensino quanto no cuidado, tem sido instrumento para que sigamos como uma igreja que deseja, em todas as coisas, glorificar a Deus, conforme o grande fim para o qual fomos criados e redimidos.
Nesse mesmo espírito, valorizamos profundamente o tempo de contrição no culto. Esse momento não é um adendo litúrgico, mas um meio de graça necessário para preparar nossos corações. Ele nos lembra que não nos aproximamos de Deus com presunção, mas com humildade. A contrição nos guia ao arrependimento sincero, nos faz enxergar a beleza da graça que perdoa e restaura, e prepara o terreno da alma para ouvir a Palavra com reverência, gratidão e fé. Quando a igreja se volta a Deus em confissão, ela reconhece sua necessidade contínua de Cristo e é conduzida a uma participação mais plena, consciente e alegre no culto.
Que o Senhor continue fortalecendo a Igreja Reformada em Candangolândia, para que permaneça firme na Verdade, fiel à sua confissão, diligente no arrependimento e incansável na missão de glorificar a Deus em tudo.
Confissão Batista de 1689
Versão Devocional de Contrição
CAPÍTULO 1 — AS ESCRITURAS SAGRADAS
Pergunta:
Por que a Escritura é a nossa única regra infalível de fé e prática?
Resposta:
Porque somente ela é inspirada por Deus, suficiente, infalível e clara para revelar tudo o que precisamos crer e obedecer para a salvação e a vida piedosa, sendo autoridade final sobre toda tradição humana.
2Tm 3:16–17 — Paulo ensina que a Escritura é “inspirada por Deus”, literalmente “soprada” por Ele. Isso significa que seu ensino não depende da sabedoria humana, mas da vontade do próprio Deus. A Palavra é útil para instruir, corrigir e formar o discípulo em toda boa obra. Nada pode ocupar o lugar da Escritura porque nada mais é divinamente inspirado. Toda regra de fé que não nasce dela é areia movediça.
Chamada ao arrependimento:
Quantas vezes afirmamos que a Bíblia é nossa regra infalível, mas a tratamos como opinião opcional? Quantas vezes consultamos conselhos humanos antes de buscar a Palavra? Quantas decisões tomamos guiados pelo coração, pelo costume ou pela voz da cultura? Somos rápidos em citar versículos, mas lentos em obedecer ao que lemos. Negligenciamos a leitura, dispensamos a meditação, ignoramos a repreensão que ela oferece. Vivemos como se tivéssemos autoridade para escolher quais textos obedecer e em quais nos calar. Nossa relação com a Escritura expõe nossa relação com Deus. Quando a tratamos com descaso, tratamos o próprio Autor com desonra. Confessemos a arrogância de substituir a revelação divina por sentimentos pessoais. Rendamos nossa mente e nossa vontade ao Deus que fala. Que hoje sejamos quebrantados por perceber que a Palavra que deveria moldar nossa vida muitas vezes tem sido deixada de lado. Que clamemos por um espírito obediente, atento e reverente, disposto a submeter cada área da existência à Escritura viva e verdadeira.
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CAPÍTULO 2 — DEUS E A SANTÍSSIMA TRINDADE
Pergunta:
Quem é o Deus revelado na Escritura?
Resposta:
O único Deus vivo e verdadeiro, perfeito em santidade, eterno, imutável e subsistente em três pessoas iguais em glória: Pai, Filho e Espírito Santo.
Dt 6:4 — “O Senhor nosso Deus é o único Senhor.” A unidade divina é absoluta.
Mt 28:19 — “Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.” Uma única essência, três Pessoas reais.
A Bíblia não apresenta uma divindade vaga ou moldável, mas o Deus trino que existe eternamente e é totalmente distinto da criação.
Chamada ao arrependimento:
Dizemos que cremos no Deus trino, mas muitas vezes vivemos como se Ele fosse pequeno, tolerante ao pecado e indiferente à nossa vida. Reduzimos Sua santidade para acomodar nossos hábitos. Adaptamos Sua vontade ao nosso conforto. Falamos da majestade divina, mas tememos mais as circunstâncias do que ao Criador do universo. Esquecemos que Ele é eterno e imutável, e vivemos como se fosse possível manipular Sua vontade com desculpas baratas. Quando tratamos Deus como adereço religioso, revelamos que não O conhecemos como Ele é. Confessemos a idolatria de criar versões convenientes de Deus um Deus que não confronta, não exige, não transforma. Esse deus não é o Deus da Escritura. Somos chamados hoje a derrubar ídolos internos, a abandonar concepções humanas e a nos prostrar diante da majestade santa do Pai, do sacrifício do Filho e da obra vivificante do Espírito. Que nosso arrependimento nos conduza a um temor mais profundo e a uma adoração mais verdadeira.
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CAPÍTULO 3 — O DECRETO DE DEUS
Pergunta:
O que são os decretos de Deus?
Resposta:
São Seus propósitos eternos, sábios e imutáveis pelos quais Ele ordena todas as coisas para Sua glória e para o cumprimento de Sua vontade perfeita.
Ef 1:11 — Deus “faz todas as coisas segundo o conselho da Sua vontade”.
Isso inclui acontecimentos grandiosos e eventos simples. Os decretos divinos não são reativos; eles antecedem tudo. Deus não improvisa, mas governa com sabedoria eterna.
Chamada ao arrependimento:
Afirmamos que Deus controla todas as coisas, mas frequentemente murmuramos como se Ele tivesse errado ao conduzir nossa história. Reclamamos das circunstâncias, dos atrasos, das perdas e das pessoas que Ele coloca em nosso caminho. Dizemos crer na soberania divina, mas vivemos como se fôssemos mais sábios que o Altíssimo. Quando contestamos a providência, revelamos um coração orgulhoso que deseja sentar-se no trono. Quando duvidamos de Sua bondade em tempos difíceis, mostramos que nossa fé é frágil e condicionada. Hoje somos chamados a confessar o pecado da incredulidade, da reclamação, da impaciência e da rebelião silenciosa contra os decretos do Senhor. Ele governa com perfeição, e nossa resistência a Ele revela a profundidade da nossa própria corrupção. Dobremos o coração diante do Deus soberano e confessemos que muitas vezes lutamos contra a própria mão que nos sustenta. Que nosso arrependimento nos leve a descansar, confiar e render nossa vontade ao Rei eterno.
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CAPÍTULO 4 — A CRIAÇÃO
Pergunta:
O que a Bíblia ensina sobre a criação?
Resposta:
Que Deus criou todas as coisas do nada, tudo muito bom, fazendo o homem à Sua imagem para viver diante Dele com honra, responsabilidade e dependência.
Gn 1:27 — O homem é criado à imagem de Deus, o que implica dignidade, racionalidade, espiritualidade e responsabilidade moral.
Ser imagem significa refletir o caráter de Deus e exercer domínio santo sobre a criação, não viver em autossuficiência.
Chamada ao arrependimento:
Deus nos fez à Sua imagem, mas quantas vezes desonramos essa imagem. Tratamos pessoas como obstáculos, não como portadoras da dignidade divina. Nutrim ressentimentos, nutrimos palavras duras, alimentamos desprezo por aqueles que Deus criou. Negligenciamos o cuidado da criação, tratamos o mundo com ingratidão e vivemos como se tudo existisse para nosso consumo e não para a glória do Criador. Muitas vezes, esquecemos que fomos feitos para refletir a santidade de Deus, preferindo refletir o espírito do mundo. Precisamos confessar a maneira como denegrimos a imagem divina em nós mesmos pecando com o corpo, os pensamentos, os olhos e os desejos e nos outros, desprezando seu valor e negando amor. Somos chamados a reconhecer que nossa soberba obscurece aquilo que Deus nos chamou para ser. Hoje, humilhemo-nos diante do Criador, reconhecendo nossa ingratidão, nossa dureza de coração e nossa falha em refletir Sua glória. Que o arrependimento restaure em nós a dignidade de viver como imagem de Deus no mundo.
CAPÍTULO 5 – A PROVIDÊNCIA
Pergunta:
Como Deus governa tudo o que criou?
Resposta:
Ele sustenta, dirige e ordena todas as coisas segundo Sua perfeita sabedoria, poder e bondade, cumprindo Seus propósitos imutáveis na história e na vida de cada criatura.
Mateus 10:29–31 mostra que nem mesmo um pardal cai ao chão sem o consentimento do Pai. Jesus usa a menor das criaturas para revelar a profundidade do cuidado divino. A providência significa que Deus governa tanto o macro quanto o micro, tanto o destino das nações quanto os fios de cabelo em nossa cabeça. Nada está fora do alcance de Suas mãos soberanas.
Chamada ao arrependimento:
A doutrina da providência deveria encher o coração de paz, mas muitas vezes ela expõe nossa ansiedade e incredulidade. Vivemos como se Deus estivesse ausente, como se nosso sustento dependesse de força própria, como se o futuro estivesse solto ao acaso. Quantas vezes reclamamos diante de pequenas frustrações, revelando o quanto desejamos controlar a própria história. Quantas decisões tomamos sem buscar direção do Senhor, confiando mais na lógica humana do que na sabedoria divina. A ansiedade constante denuncia um coração que ainda não descansa no governo de Deus. A queixa frequente mostra que tratamos os decretos divinos como se fossem erros. A impaciência expõe o orgulho que exige explicações em vez de confiar. Hoje somos chamados a confessar a incredulidade que nos faz duvidar de um Pai que nunca falhou. A providência nos convida a deitar o peso da alma diante dAquele que tudo dirige com amor. Arrependamo-nos da inquietação, da impaciência e da suspeita contra a bondade de Deus, e voltemos a descansar na mão que governa todas as coisas com perfeição e fidelidade.
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CAPÍTULO 6 – A QUEDA DO HOMEM
Pergunta:
O que aconteceu na queda?
Resposta:
Adão, nosso representante federal, pecou contra Deus e trouxe corrupção, culpa e morte espiritual sobre toda a humanidade
Romanos 5:12 afirma que “por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte”. Paulo explica que a queda não foi apenas um evento trágico, mas um ato representativo. Em Adão, todos pecaram. Isso significa que o pecado não é apenas comportamento, mas condição; não é apenas erro, mas estado espiritual de morte.
Chamada ao arrependimento:
A queda é uma doutrina que expõe nossa verdadeira condição. Muitas vezes, porém, tratamos o pecado como deslize, como fraqueza inevitável, como detalhe ajustável, e não como rebelião profunda contra o Criador. Somos rápidos em enxergar o pecado nos outros, mas lerdos em reconhecer a profundidade da nossa própria depravação. Sentimos repulsa por injustiças externas, mas toleramos pensamentos impuros, ressentimentos guardados, orgulho disfarçado, vaidade cultivada e ambição egoísta. Trocamos responsabilidade por desculpas, chamando de “temperamento” aquilo que Deus chama de “pecado”. Vivemos como se fôssemos melhores do que realmente somos, como se nossa natureza caída pudesse ser reformada sem arrependimento. Precisamos confessar que minimizamos a seriedade da corrupção herdada em Adão. Precisamos confessar que ignoramos o diagnóstico divino sobre nossa alma. A queda nos lembra que estamos arruinados e sem esperança, a menos que Cristo intervenha. Hoje, examinemos o coração com seriedade, confessemos o pecado sem suavizações e clamemos por arrependimento sincero diante do Deus que vê além das aparências.
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CAPÍTULO 7 – O PACTO DE DEUS
Pergunta:
Como Deus decidiu salvar pecadores?
Resposta:
Por meio do pacto da graça, estabelecido por Deus e cumprido perfeitamente em Cristo, no qual Ele provê tudo o que é necessário para a salvação do Seu povo.
Hebreus 8:6 afirma que Cristo é Mediador de uma aliança superior, estabelecida sobre melhores promessas. A salvação não nasce da iniciativa humana, mas da determinação divina de redimir um povo. O pacto é graça do começo ao fim. Deus planeja, Deus promete, Deus cumpre.
Chamada ao arrependimento:
A grande verdade do pacto da graça confronta nossa tendência de transformar o evangelho em esforço humano. Falamos da graça, mas muitas vezes vivemos como se a salvação dependesse de desempenho espiritual. Abraçamos Cristo como Salvador, mas resistimos a Cristo como Senhor. Desfrutamos dos benefícios da redenção, mas toleramos vida morna, oração negligente, leitura da Palavra irregular e obediência seletiva. A graça que salva também santifica, mas quantas vezes desejamos a salvação sem transformação, o perdão sem renúncia, a promessa sem compromisso. Pecamos contra a graça quando a tratamos como moeda barata, como justificativa para a passividade, como permissão para o comodismo. Precisamos confessar a ingratidão de tratar o sangue da aliança como algo comum. Somos chamados hoje a abandonar confiança em nossos méritos, reconhecer nossa total dependência do pacto firmado por Cristo e retornar ao compromisso de seguir o Mediador com coração inteiro, não dividido. O pacto de Deus exige rendição completa diante dAquele que deu tudo para nos salvar.
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CAPÍTULO 8 – CRISTO, O MEDIADOR
Pergunta:
Quem é Cristo na obra da redenção?
Resposta:
Ele é o único Mediador entre Deus e os homens, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, que viveu sem pecado, morreu pelos culpados, ressuscitou para nossa justificação e reina eternamente por Seu povo
1Timóteo 2:5 declara que “há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem”.
Jesus não é apenas exemplo; é substituto. Sua divindade torna Sua obra perfeita; Sua humanidade torna Sua obra representativa. Ele não aponta um caminho de salvação: Ele é o caminho.
Chamada ao arrependimento:
Ninguém expõe nossa frieza espiritual como Cristo crucificado. Muitas vezes, falamos da cruz com familiaridade, mas sem reverência. Acostumamo-nos ao evangelho como quem se acostuma com um objeto antigo no quarto: está ali, sabemos que é importante, mas já não desperta admiração. Vivemos como se Sua morte fosse apenas um detalhe doutrinário e não o centro da existência. Continuamos em pecados que custaram o sangue do Cordeiro. Alimentamos hábitos que pregam novamente a Cristo no coração. Criamos versões de Jesus que não exigem renúncia, não confrontam nosso pecado e não incomodam nosso ego. Trocamos o Cristo bíblico por um Cristo confortável. Hoje, precisamos confessar que muitas vezes tratamos o Mediador como acessório e não como Senhor. Confessemos a frieza, a indiferença, a superficialidade e a falta de temor diante da cruz. Olhemos para o Calvário e reconheçamos que nossos pecados têm um preço, e que Cristo o pagou plenamente. O arrependimento verdadeiro nasce quando enxergamos a gravidade do pecado à luz do sacrifício santo. Que hoje retornemos à cruz com humildade, lágrimas e reverência, adorando o Mediador que nos reconciliou com Deus.
CAPÍTULO 9 – LIVRE-ARBÍTRIO
Pergunta:
O homem possui livre-arbítrio?
Resposta:
Sim, o homem possui vontade, mas desde a queda sua vontade está escravizada ao pecado e incapaz de escolher o bem espiritual até que seja libertada pela graça de Deus.
João 8:34 afirma que “todo o que comete pecado é escravo do pecado”. Jesus não descreve o pecado como um ato isolado, mas como uma escravidão espiritual que domina a vontade. A liberdade real não está na capacidade de escolher, mas na capacidade de escolher o bem, algo que somente o Espírito pode restaurar.
Chamada ao arrependimento:
A doutrina da incapacidade humana nos confronta profundamente, porque expõe que muitas das nossas declarações de liberdade são, na verdade, servidão disfarçada. Quantas vezes justificamos pecados recorrentes dizendo “é só fraqueza”, quando na realidade estamos cedendo à escravidão de desejos que não queremos mortificar. Quantas vezes usamos nossa vontade para alimentar hábitos que destroem a alma e afastam o coração de Deus. Somos rápidos em culpar circunstâncias, pessoas e até o diabo, mas lentos em confessar que muitas vezes amamos aquilo que destrói nossa comunhão. Persistimos em atitudes que sabemos ser pecado e ainda fingimos que está tudo sob controle. O evangelho não esconde nossa escravidão; ele expõe para que possamos ser libertos. Hoje, somos chamados a confessar honestamente: há áreas em que ainda preferimos o cativeiro. Há comportamentos que repetimos porque não estamos dispostos a renunciá-los. Há vontades que tratamos como intocáveis. Que o Espírito nos quebre, exponha o engano do nosso coração e nos conduza à verdadeira liberdade, aquela que nasce do arrependimento sincero e da transformação produzida pela graça.
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CAPÍTULO 10 – A CHAMADA EFICAZ
Pergunta:
Como o pecador é trazido a Cristo?
Resposta:
Pelo chamado eficaz do Espírito, que vivifica o coração morto, ilumina o entendimento, inclina a vontade e leva o pecador irresistivelmente a Cristo, de modo que responda em fé.
João 6:44 diz: “Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer.” Aqui, Jesus remove qualquer possibilidade de conversão baseada no mérito humano. Não é a inteligência, a moralidade ou a emoção que produz fé. É a ação soberana do Espírito, que dá vida ao que está espiritualmente morto.
Chamada ao arrependimento:
A chamada eficaz confronta nossa tendência de viver como se não dependêssemos mais do Espírito após a conversão. Ele nos chamou das trevas para a luz, mas continuamos ignorando Sua voz no caminhar diário. Resistimos aos Seus alertas, abafamos Suas convicções e justificamos pecados que Ele nos manda abandonar. Há momentos em que a Palavra nos confronta e deliberadamente fechamos os ouvidos. Há ocasiões em que o Espírito nos mostra caminhos de santidade, mas preferimos atalhos de conveniência. Isso revela que, embora declaramos que fomos vivificados, agimos como se ainda estivéssemos adormecidos. Precisamos confessar nossa insensibilidade espiritual, nossa lentidão em obedecer, nossa tendência a desprezar o sussurro divino enquanto damos ouvidos ao clamor do mundo. Hoje, somos chamados a clamar por um coração que escuta, que responde, que se rende. Assim como dependemos da obra do Espírito para sermos trazidos a Cristo, dependemos dEle para permanecer andando em Cristo. Arrependamo-nos da frieza e da resistência, e peçamos ao Senhor que renove em nós a sensibilidade espiritual e a prontidão para obedecer.
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CAPÍTULO 11 – A JUSTIFICAÇÃO
Pergunta:
Como somos declarados justos diante de Deus?
Resposta:
Somos declarados justos somente pela fé em Cristo, mediante a imputação de Sua justiça perfeita, não por qualquer obra ou mérito nosso.
Romanos 3:24 declara que somos “justificados gratuitamente por Sua graça”. A justificação não é conquista, mas presente. A justiça que nos salva não é produzida em nós, mas atribuída a nós. Cristo viveu a vida que não conseguimos viver e recebeu a condenação que merecíamos.
Chamada ao arrependimento:
A doutrina da justificação deveria nos encher de humildade, alegria e descanso. Em vez disso, com frequência revela nosso orgulho mais profundo. Embora saibamos que somos aceitos por Deus por causa de Cristo, tentamos, dia após dia, provar nosso valor através de realizações, reconhecimento e aprovação humana. Sofremos quando somos criticados porque ainda buscamos justiça própria. Nos ressentimos quando somos esquecidos porque nosso coração ainda quer glória para si. Trabalhamos compulsivamente para sermos aceitos, mesmo já tendo sido aceitos pelo sangue do Cordeiro. Também caímos no erro oposto: tratamos a graça como desculpa para relaxar espiritualmente, esquecendo que fomos justificados para viver em novidade de vida. Precisamos confessar a insegurança que nasce da incredulidade, o orgulho que tenta construir méritos, a vaidade que busca vanglória e a preguiça que usa a justificação como escudo para a negligência. Hoje, diante da cruz onde fomos feitos justos, humilhemos o coração. Reconheçamos que nada temos, nada podemos, nada somos fora de Cristo. Que o arrependimento nos leve a descansar inteiramente na justiça perfeita do nosso Salvador.
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CAPÍTULO 12 – A ADOÇÃO
Pergunta:
O que significa ser adotado por Deus?
Resposta:
Significa ser recebido como filho amado em Cristo, com pleno acesso ao Pai, participação em Seus cuidados, disciplina amorosa e herança eterna.
1 João 3:1 declara: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: sermos chamados filhos de Deus.” A adoção é um ato de amor soberano em que Deus não apenas nos perdoa, mas nos acolhe como membros de Sua própria família. É identidade concedida, não conquistada.
Chamada ao arrependimento:
A doutrina da adoção expõe uma das maiores contradições da vida cristã: apesar de sermos filhos, frequentemente vivemos como órfãos espirituais. Buscamos identidade em pessoas, posses e conquistas, como se o amor do Pai não fosse suficiente. Fugimos da disciplina divina como se fosse rejeição, quando na verdade é cuidado. Tentamos controlar a vida como se não tivéssemos Pai. Reagimos com desespero diante da dor e com soberba diante da prosperidade, esquecendo que todas as coisas são administradas pelo Pai que nos adotou. Também tratamos irmãos e irmãs na fé como estranhos, como competidores ou como inconvenientes, ignorando que Deus nos reuniu em uma só família. Precisamos confessar o coração inseguro, independente e orgulhoso que ainda não descansa na paternidade de Deus. Precisamos admitir que desprezamos a identidade que Cristo nos deu e buscamos valor em lugares vazios. Hoje, somos chamados a abandonar o espírito de servidão que nos afasta do Pai e a voltar ao espírito de adoção que clama “Aba, Pai”. Que nosso arrependimento nos conduza a viver como filhos amados, confiantes e obedientes, sustentados pelo amor eterno de Deus.
CAPÍTULO 13 – A SANTIFICAÇÃO
Pergunta:
Como o crente cresce em santidade?
Resposta:
O crente cresce em santidade pela obra contínua do Espírito Santo, que mortifica o pecado, renova o coração e conforma o caráter à imagem de Cristo ao longo de toda a vida.
1 Tessalonicenses 4:3 diz: “Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação.” A santificação não é opcional. Ela é tanto obra divina quanto responsabilidade humana. Deus age em nós para nos afastar do pecado, enquanto somos chamados a responder com obediência ativa, renúncia e disciplina espiritual. É um processo real, diário, às vezes doloroso, mas sempre frutífero.
Chamada ao arrependimento:
A santificação revela a incoerência de nossos muitos discursos espirituais. Sabemos que Deus exige santidade, mas frequentemente tratamos o pecado com leveza. Mantemos hábitos que alimentam a carne enquanto pedimos para Deus nos transformar. Fugimos de disciplinas espirituais e depois reclamamos da estagnação da alma. Evitamos confrontos necessários, aceitamos justificativas convenientes, relaxamos a vigilância. Há pecados silenciosos que deixamos prosperar; há pecados antigos que já deveríamos ter crucificado, mas seguimos mantendo vivos por meio de pequenas concessões. A verdade é que muitas vezes queremos o consolo da graça sem o custo da mortificação. Preferimos um evangelho que conforta, não um evangelho que purifica. Somos chamados hoje a confessar nossa complacência com o pecado, nossa falta de zelo pela santidade e nossa resistência ao processo de transformação. Examinemos profundamente nossos caminhos. Renunciemos às desculpas. Peçamos ao Senhor que reacenda a guerra contra o pecado em nós, que nos dê coragem de crucificar desejos que entristecem o Espírito e que nos faça abraçar a santidade como alegria, não como peso. Que o arrependimento nos leve a buscar vida nova em cada área escondida do coração.
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CAPÍTULO 14 – A FÉ SALVADORA
Pergunta:
O que é fé salvadora?
Resposta:
É o dom pelo qual o crente recebe Cristo, confia plenamente em Sua pessoa e obra e descansa em Suas promessas para a salvação eterna.
Efésios 2:8 declara: “Pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus.” A fé salvadora não nasce do esforço humano, mas da concessão divina. Ela não é mero assentimento intelectual, mas confiança real que repousa na obra consumada de Cristo.
Chamada ao arrependimento:
A fé salvadora nos chama a depender totalmente de Cristo, mas muitas vezes vivemos como se dependêssemos totalmente de nós mesmos. Alimentamos medos que negam a soberania de Deus. Cuidamos de ansiedades que revelam incredulidade. Sobrecarregamos o coração tentando controlar o que pertence ao domínio divino. E quando enfrentamos dificuldades, nossa primeira reação é duvidar, não crer. Tentamos produzir fé pela força da mente, mas ignoramos que ela é fruto do Espírito. Também substituímos confiança em Cristo por confiança em métodos, emoções, experiências ou circunstâncias. Quando tudo vai bem, achamos fácil crer; quando tudo vai mal, revelamos quanto nossa fé estava apoiada em coisas visíveis. Precisamos confessar a fragilidade de nossa crença, a superficialidade de nossa confiança e a hipocrisia de declarar segurança enquanto vivemos dominados pela ansiedade e pelo controle. Hoje somos chamados a abandonar toda autossuficiência. Que confessemos nossa pouca fé e busquemos a graça que fortalece o coração. Que retornemos à dependência simples e profunda do Salvador, lembrando que fé verdadeira é descansar no que Ele é, não no que sentimos.
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CAPÍTULO 15 – O ARREPENDIMENTO PARA A VIDA
Pergunta:
O que é arrependimento bíblico?
Resposta:
É uma mudança sincera de mente e coração, produzida pela graça, que leva o pecador a abandonar o pecado com tristeza verdadeira e voltar-se a Deus com fé e obediência
Atos 3:19 diz: “Arrependei-vos e convertei-vos, para serem cancelados os vossos pecados.” Arrepender-se é virar as costas ao pecado e retornar ao caminho de Deus. Não é remorso emocional; é transformação espiritual. O arrependimento envolve abandono real, não apenas confissão verbal.
Chamada ao arrependimento:
Muitas vezes confundimos arrependimento com sentimento de culpa. Lamentamos, mas não abandonamos; choramos, mas não mudamos; confessamos, mas continuamos retornando ao mesmo pecado como um cão ao próprio vômito. A Bíblia nos chama a um arrependimento profundo, não superficial. Mas quantas vezes confessamos pecado apenas para aliviar a consciência, sem intenção de renunciar a ele. Quantas vezes escondemos pecados atrás de boas obras. Quantas vezes tentamos administrar o pecado em vez de matá-lo. Deus nos chama a um arrependimento que corta, que confronta, que exige renúncia e obediência. Precisamos confessar a hipocrisia de um arrependimento seletivo, que expõe pecados convenientes e protege pecados queridos. Precisamos admitir que muitas vezes tratamos o arrependimento como ritual religioso e não como retorno ao Deus vivo. Hoje somos convocados a examinar pecados escondidos, hábitos secretos, vícios de pensamento e atitudes que temos tolerado. Que confessemos todos diante do Senhor. Que abandonemos o caminho da autodefraudação e abracemos o caminho da restauração. O arrependimento para a vida é dom de Deus, mas deve ser exercido com seriedade, sinceridade e renovação contínua.
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CAPÍTULO 16 – AS BOAS OBRAS
Pergunta:
Qual é o lugar das boas obras na vida cristã?
Resposta:
As boas obras não são causa da salvação, mas fruto necessário da fé verdadeira, evidência da graça e expressão de gratidão e obediência a Deus.
Tiago 2:17 ensina: “A fé,e se não tiver obras, é morta em si mesma.” A obra não salva, mas a ausência de obras denuncia uma fé inexistente. Boas obras revelam transformação real, e não apenas profissão verbal.
Chamada ao arrependimento:
A doutrina das boas obras expõe nossa tendência de viver um cristianismo sem frutos. Falamos de amor, mas servimos pouco. Pregamos sobre misericórdia, mas nutrimos indiferença. Proclamamos santidade, mas praticamos egoísmo. Muitas vezes buscamos reconhecimento humano ao servir, transformando o serviço em palco e não em adoração. Outras vezes nos escondemos atrás de desculpas, negligenciando oportunidades de ajudar, ensinar, consolar e sustentar. Somos chamados a confessar o pecado da omissão, que Deus leva tão a sério quanto o pecado da transgressão. Também precisamos admitir que frequentemente usamos nossa vida ocupada como justificativa para não servir ao próximo, quando na verdade priorizamos nossa própria agenda. Deus preparou boas obras para que andássemos nelas, mas insistimos em caminhar nos trilhos do conforto. Hoje, arrependamo-nos de uma fé que não se manifesta em ação, de uma devoção que não se traduz em serviço, de uma vida cristã centrada em nós mesmos. Peçamos ao Senhor um coração generoso, disposto, sacrificial e alegre. Que nos tornemos praticantes da fé, e não apenas ouvintes.
CAPÍTULO 17 – A PERSEVERANÇA DOS SANTOS
Pergunta:
Os verdadeiros crentes podem perder a salvação?
Resposta:
Não. Aqueles que foram verdadeiramente regenerados, justificados e unidos a Cristo são preservados por Deus e perseveram até o fim pela graça que os sustém.
Filipenses 1:6 declara: “Aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.” A perseverança não depende fundamentalmente da força humana, mas da fidelidade divina. Deus não inicia uma obra para abandoná-la no meio; Ele sustenta Seus filhos mesmo em meio a quedas, fraquezas e lutas.
Chamada ao arrependimento:
A doutrina da perseverança deveria nos levar a uma vida de gratidão e vigilância, mas muitas vezes nos leva à acomodação espiritual. Afirmamos que Deus nos preserva, mas negligenciamos disciplinas espirituais, ignoramos pecados recorrentes e tratamos a santidade com desleixo. Muitas vezes confundimos segurança com passividade, graça com indiferença, preservação com preguiça espiritual. Há áreas em que já desistimos de lutar, assumindo que “Deus entende”, quando na verdade Ele nos chamou à guerra contra o pecado. Há tentações que aceitamos como inevitáveis; há quedas que deixamos sem resposta; há frieza espiritual que normalizamos. A perseverança não elimina a responsabilidade, pelo contrário: mostra que Deus preserva justamente aqueles que lutam, vigiam e buscam. Hoje somos chamados a confessar nossa negligência, nossa falta de zelo e nossa tendência a transformar a doutrina da graça em desculpa para a apatia. Que o Espírito desperte em nós o temor santo, reacenda o fervor e renove o compromisso de caminharmos de modo digno do evangelho. Perseveramos porque Deus preserva; e porque Ele preserva, devemos nos levantar, vigiar e avançar.
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CAPÍTULO 18 – A CERTEZA DA SALVAÇÃO
Pergunta:
Podemos ter certeza da salvação?
Resposta:
Sim. A certeza da salvação é possível por meio das promessas da Palavra, do testemunho interno do Espírito e dos frutos visíveis da graça na vidado crente.
1 João 5:13 afirma: “Estas coisas vos escrevi a fim de saberdes que tendes a vida eterna.” João revela que Deus deseja que Seus filhos vivam na segurança da salvação, não no medo. Essa certeza, porém, não é construída sobre emoções voláteis, mas sobre a Palavra revelada e o testemunho do Espírito que confirma nossa filiação.
Chamada ao arrependimento:
Muitos cristãos vivem presos à dúvida, não porque Deus os abandonou, mas porque têm negligenciado os meios pelos quais Ele fortalece a certeza. Buscamos segurança em sentimentos instáveis, e não em promessas eternas. Permitimos que o humor, as circunstâncias e a opinião de terceiros definam nossa condição espiritual, enquanto tratamos a Escritura como secundária. Há quem viva constantemente entre soberba e desespero: soberba quando tudo vai bem; desespero quando o pecado aparece. Outros preferem a dúvida porque a certeza exigiria uma vida coerente, santa, obediente. Negligenciamos o testemunho do Espírito porque abafamos Sua voz com pecado não confessado, vida de oração irregular ou culto superficial. Hoje somos chamados a confessar nossa incredulidade, nosso apego às emoções, nossa instabilidade espiritual. Deus não nos chamou para vivermos aflitos, mas também não nos chamou para vivermos iludidos. A certeza nasce da luz, e não da escuridão. Que confessemos toda segurança falsa e toda dúvida pecaminosa, e retornemos ao fundamento que Deus estabeleceu: Sua Palavra, Seu Espírito e Sua obra em nós.
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CAPÍTULO 19 – A LEI DE DEUS
Pergunta:
Qual é o papel da lei moral?
Resposta:
A lei moral revela o caráter de Deus, expõe o pecado, conduz o pecador a Cristo e guia o crente regenerado na vida de santidade.
Salmo 19:7 afirma: “A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma.” Longe de ser um peso, a lei moral é um reflexo da perfeição divina e um instrumento para a renovação espiritual. Ela não salva, mas ilumina o caminho, corrige o desvio e revela a vontade de Deus para toda a vida cristã.
Chamada ao arrependimento:
Vivemos em uma geração que despreza a lei de Deus com palavras suaves e argumentos aparentemente espirituais. Alguns dizem que a lei não importa mais, outros relativizam mandamentos desconfortáveis, outros ainda obedecem seletivamente conforme seus próprios interesses. Reduzimos o padrão de Deus ao tamanho de nossas preferências. Há mandamentos que evitamos deliberadamente. Há pecados que escondemos atrás de desculpas teológicas. Há verdades que rejeitamos porque confrontam nosso orgulho. Quando ignoramos a lei, revelamos indiferença ao caráter do Deus que a deu. Hoje somos chamados a confessar nossa seletividade moral, nossa tendência à autodefesa e nossa resistência à obediência plena. Precisamos reconhecer que desprezar a lei é desprezar o Deus santo que a revelou. Que o Espírito nos leve ao arrependimento profundo, restaurando em nós o amor pela lei, o temor do Senhor e a disposição de obedecer mesmo quando custa, mesmo quando dói, mesmo quando nos humilha. A lei não é nosso inimigo; ela é a expressão da sabedoria de Deus para nossa vida.
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CAPÍTULO 20 – O EVANGELHO E A EXTENSÃO DA GRAÇA
Pergunta:
Quem pode ser salvo pelo evangelho?
Resposta:
O evangelho é anunciado a todos sem distinção, mas somente aqueles que são vivificados pela graça respondem com fé e são salvos.
Romanos 1:16 declara: “O evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê.” A salvação é oferecida universalmente, mas é eficaz somente naqueles a quem o Espírito concede fé. O poder do evangelho não reside no ouvinte, mas em Deus, que salva soberanamente.
Chamada ao arrependimento:
Se cremos que o evangelho é o poder de Deus para salvar, por que somos tão lentos em anunciá-lo? Vivemos muitas vezes como consumidores do evangelho, não como mensageiros. Preocupamo-nos com rejeição, status, vergonha e conveniência. Há vizinhos, parentes, colegas e até irmãos de igreja que nunca ouviram de nossos lábios uma palavra clara sobre Cristo. Temos medo do julgamento dos homens, mas não tememos a condenação dos que perecem sem Cristo. Falamos da graça que nos alcançou, mas não movemos um dedo para que alcance outros. Além disso, somos chamados a confessar nossa postura fria diante das almas perdidas. Muitas vezes defendemos a doutrina da soberania de Deus, mas vivemos como fatalistas, esquecendo que Deus usa meios, e que nós somos parte desses meios. Hoje somos convocados ao arrependimento profundo pela negligência evangelística, pela falta de compaixão, pela indiferença diante do perdido e pela preguiça espiritual que não se move em direção ao próximo. Que Deus reacenda o zelo missionário em nosso coração, que restaure em nós a urgência, a coragem e a compaixão de Cristo.
CAPÍTULO 21 – LIBERDADE CRISTÃ E LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA
Pergunta:
O que é liberdade cristã?
Resposta:
É a liberdade que Cristo concede ao crente, libertando-o da culpa do pecado, da condenação da lei e das tradições humanas, para viver em consciente submissão à Palavra e em serviço amoroso a Deus.
Gálatas 5:1 declara: “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou.” Essa liberdade não é licença para pecar, mas liberação do jugo da condenação e da escravidão. É liberdade para obedecer, não para transgredir. É uma liberdade que repousa na graça e se expressa em amor e santidade.
Chamada ao arrependimento:
Transformamos liberdade cristã em desculpa para acomodar pecados. Justificamos escolhas duvidosas dizendo que “não há condenação”, quando o problema não é a culpa, mas a falta de amor e reverência. Usamos a consciência como ferramenta para promover nossa própria vontade, em vez de submetê-la inteiramente à Palavra. Há quem viva libertinagem emocional, moral ou espiritual, chamando isso de maturidade. Há quem pense que liberdade significa autonomia, e não dependência do Espírito. Também ignoramos a realidade de que nossa liberdade deve servir ao outro e não apenas aos nossos desejos. Quando nossas decisões ferem irmãos, enfraquecem a igreja ou escandalizam os fracos, mostramos que não entendemos o propósito da liberdade em Cristo. Hoje somos chamados a confessar toda arrogância que usa a liberdade como capa para a carne. Precisamos admitir que muitas vezes ignoramos limites bíblicos por conveniência, e relativizamos santidade por amor ao conforto. Que o Senhor nos conduza ao arrependimento profundo, devolvendo ao nosso coração a consciência cativa à Palavra, e não às preferências pessoais. Liberdade verdadeira é viver inteiramente para Cristo.
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CAPÍTULO 22 – ADORAÇÃO RELIGIOSA E O DIA DO SENHOR
Pergunta:
Como Deus deve ser adorado?
Resposta:
Deus deve ser adorado somente da maneira como Ele próprio revelou nas Escrituras, com reverência, simplicidade, sinceridade e centralidade da Palavra, especialmente no Dia do Senhor.
João 4:24 afirma: “Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.” A adoração aceita por Deus não nasce da criatividade humana, mas da fidelidade às instruções de Deus. Ela exige coração íntegro e obediência à revelação.
Chamada ao arrependimento:
Temos tratado o culto com informalidade perigosa. Chegamos atrasados, distraídos, frios, ou até mesmo indiferentes, como se adorar o Deus santo fosse um ato secundário da vida cristã. Quando deixamos de preparar o coração, demonstramos que valorizamos mais entretenimento, descanso ou atividades pessoais do que a presença de Deus. Muitas vezes esperamos ser servidos pelo culto, e não servir a Deus nele. Também transformamos adoração em preferência estética, colocando gostos acima da reverência. E tratamos o Dia do Senhor como dia comum, negligenciando descanso, consagração e santificação do tempo. Hoje somos chamados a confessar atitudes irreverentes, rotinas vazias e descaso espiritual. Precisamos reconhecer que muitas vezes fomos espectadores e não adoradores; frequentadores e não servos; ouvintes distraídos e não participantes reverentes. Que o Senhor nos leve ao arrependimento profundo, restaurando em nós o sentido santo do culto e do Dia do Senhor. A adoração não é para nós; é para o Deus que habita no meio do Seu povo.
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CAPÍTULO 23 – JURAMENTOS LEGÍTIMOS E VOTOS
Pergunta:
Como o cristão deve lidar com compromissos, votos e juramentos?
Resposta:
Com verdade, integridade e reverência, usando juramentos apenas quando necessários e sempre conscientes de que são feitos diante de Deus, que é testemunha de toda palavra proferida.
Mateus 5:37 diz: “Seja, porém, a sua palavra: Sim, sim; não, não.” Jesus não condena juramentos legítimos, mas a falta de sinceridade e a manipulação de compromissos. A integridade deve marcar toda fala do cristão, com ou sem juramento.
Chamada ao arrependimento:
Somos rápidos em prometer e lentos em cumprir. Quando nos comprometemos diante de Deus, diante da igreja ou diante de pessoas, frequentemente tratamos nossa própria palavra com leveza. Quebramos promessas silenciosamente, justificamos infidelidade com desculpas convenientes, e assumimos votos que nunca tivemos intenção real de honrar. Muitos fazem compromissos matrimoniais, e depois os tratam com negligência. Outros prometem servir à igreja, mas desaparecem quando o serviço exige esforço. Prometemos orar e não oramos; prometemos ajudar e não ajudamos; prometemos mudar e não mudamos. Tudo isso revela um coração que não teme a Deus como deveria. Hoje somos chamados a confessar levianidade, mentira sutil, falta de integridade e promessas vazias. Deus leva nossa palavra a sério porque ela revela nosso caráter. Arrependamo-nos de toda falsidade, de toda infidelidade e de toda promessa quebrada. Que o Senhor nos dê língua verdadeira, coração íntegro e vida coerente, para que nossa palavra reflita o caráter do Deus que não mente.
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CAPÍTULO 24 – O MAGISTRADO CIVIL
Pergunta:
Como o cristão deve se relacionar com as autoridades civis?
Resposta:
Com respeito, submissão e oração, reconhecendo que Deus instituiu o governo para o bem público, exceto quando suas ordens contradizem a Palavra de Deus, caso em que devemos obedecer a Deus antes que aos homens.
Romanos 13:1 declara: “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores, porque não há autoridade que não proceda de Deus.” Paulo ensina que a autoridade civil é instrumento divino de ordem e justiça, e deve ser honrada, ainda que imperfeita.
Chamada ao arrependimento:
Nossa postura diante das autoridades frequentemente revela rebeldia, desrespeito e desprezo pelo ensino bíblico. Muitos cristãos se permitem sarcasmo, zombaria e palavras duras contra governantes, esquecendo que a honra não depende da virtude do governante, mas da obediência ao mandamento de Deus. Outros colocam a esperança em políticos como se fossem salvadores, demonstrando idolatria e perda de discernimento espiritual. Há quem viva em constante irritação contra a política, transformando opiniões em armas e deixando que a amargura domine o coração. E há também quem use a submissão ao Estado como desculpa para covardia, evitando firmeza quando a autoridade exige o que Deus proíbe. Hoje somos chamados a confessar desonra, idolatria política, ódio e postura mundana diante do governo. Precisamos admitir que muitas vezes representamos mais nossas ideologias do que o reino de Cristo. Arrependamo-nos profundamente e busquemos um coração equilibrado: submisso, respeitoso, vigilante e fiel à Palavra. Que Deus nos dê coragem para obedecer quando é difícil, e firmeza para desobedecer quando necessário, sempre com temor e humildade.
CAPÍTULO 25 – O MATRIMÔNIO
Pergunta:
O que é o casamento segundo Deus?
Resposta:
O casamento é uma aliança santa instituída por Deus entre um homem e uma mulher, ordenada para companheirismo, ajuda mútua, pureza, edificação espiritual e continuidade da família.
Gênesis 2:24 declara: “Portanto, deixará o homem pai e mãe e unir-se-á à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.” O casamento não é invenção humana, mas projeto divino estabelecido antes da queda. É união íntima, permanente e complementar, que reflete a fidelidade e o amor de Deus.
Chamada ao arrependimento:
O matrimônio é um espelho da aliança de Cristo com Sua igreja, mas frequentemente tratamos essa aliança com descaso. Maridos negligenciam o amor sacrificial e a liderança piedosa; esposas resistem à submissão bíblica e ao respeito sincero. Em vez de perdão, cultivamos feridas; em vez de diálogo, erguemos muros; em vez de humildade, alimentamos orgulho. Toleramos frieza, desprezamos a oração conjunta e transformamos o lar em campo de batalha. O pecado doméstico é muitas vezes escondido, mas seu impacto é devastador. Precisamos confessar as palavras duras, os silêncios calculados, as expectativas egoístas e as omissões que ferem o cônjuge. Muitos transformaram o casamento em conveniência, não em compromisso; em contrato, não em aliança. Hoje Deus nos chama ao arrependimento profundo no contexto do lar. Que confessemos cada atitude que desonra o pacto matrimonial e busquemos restaurar a harmonia pela graça de Cristo. Que retornemos ao propósito original: amar como Cristo ama, servir como Cristo serviu, caminhar juntos para a santidade.
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CAPÍTULO 26 – A IGREJA
Pergunta:
O que é a igreja?
Resposta:
A igreja é a assembleia de todos os redimidos por Cristo, sendo visivelmente manifestada nas igrejas locais, onde crentes batizados se reúnem para culto, comunhão, disciplina e missão sob a autoridade da Palavra.
Atos 2:42 afirma: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações.” A igreja não é mera estrutura social, mas comunidade espiritual formada pela Palavra e sustentada pela prática da fé em conjunto. É um corpo e não um ajuntamento casual.
Chamada ao arrependimento:
Temos tratado a igreja como acessório, e não como corpo vivo de Cristo. Frequentamos quando conveniente, servimos quando sobra tempo, amamos quando é fácil. Tornamo-nos consumidores, não cooperadores. Negligenciamos a comunhão, resistimos à disciplina, evitamos confrontos que geram restauração. Abandonamos ministérios sem responsabilidade, tratamos líderes com ingratidão e ignoramos irmãos que sofrem ao nosso lado. Preferimos isolamento ao invés de vulnerabilidade, opinião ao invés de submissão, conforto ao invés de missão. A verdade é que muitos querem os benefícios do corpo sem carregar os encargos do corpo. Hoje somos chamados a confessar egocentrismo, indiferença e infidelidade à vida comunitária. Precisamos admitir que muitas vezes ferimos a igreja mais do que edificamos. Que o Senhor nos leve ao arrependimento profundo e ao retorno fiel à comunhão, serviço, mutualidade e missão. A igreja é o povo que Cristo comprou com sangue; tratá-la com descaso é desonrar o próprio Cristo.
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CAPÍTULO 27 – A COMUNHÃO DOS SANTOS
Pergunta:
Por que os crentes precisam uns dos outros?
Resposta:
Os crentes precisam uns dos outros para edificação espiritual, consolo, serviço, encorajamento e fortalecimento mútuo no caminho da fé.
Hebreus 10:24–25 ensina: “Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, não deixando de congregar-nos.” Comunhão não é opcional, mas instrumento essencial para perseverança e firmeza espiritual. Deus usa pessoas para moldar pessoas.
Chamada ao arrependimento:
A comunhão dos santos revela nosso coração egoísta, pois frequentemente preferimos a solidão confortável ao relacionamento transformador. Isolamo-nos para evitar ser conhecidos, confrontados e responsáveis. Fechamos o coração para irmãos que Deus colocou ao nosso lado como instrumentos de graça. Evitamos carregar fardos alheios porque isso exige tempo, paciência e sacrifício. Também negligenciamos o dever de exortar, encorajar e corrigir, porque preferimos manter a paz superficial a buscar o bem eterno dos irmãos. Há quem trate comunhão como consumo, buscando apenas o que lhe interessa. E há quem apenas receba, mas nunca sirva. Hoje o Espírito Santo nos chama ao arrependimento pela frieza comunitária, pela indiferença diante do sofrimento alheio e pela resistência a relacionamentos reais. Precisamos confessar o individualismo que corrói a vida da igreja e acolher novamente o chamado de Deus para vivermos como família espiritual. Que Ele nos dê coragem para amar de perto, servir de verdade e caminhar juntos rumo à maturidade.
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CAPÍTULO 28 – BATISMO E CEIA DO SENHOR
Pergunta:
Por que Cristo instituiu o batismo e a Ceia do Senhor?
Resposta:
Cristo instituiu essas ordenanças como sinais e selos visíveis da graça, confirmando o evangelho, fortalecendo os crentes e testemunhando publicamente a obra de Deus na vida do Seu povo.
Mateus 28:19–20 ordena: “Ide, portanto, fazei discípulos… batizando-os… ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado.” Cristo vincula o batismo e o discipulado, mostrando que as ordenanças são parte essencial da vida cristã. Elas não são símbolos vazios, mas instrumentos de edificação.
Lucas 22:19 acrescenta: “Fazei isto em memória de mim.” A Ceia é memorial, comunhão e renovação espiritual.
Chamada ao arrependimento:
Participamos das ordenanças com pressa, distração e coração dividido. No batismo, celebramos decisões alheias, mas muitas vezes esquecemos do pacto que nós mesmos assumimos. Na Ceia, aproximamo-nos sem autoexame, sem reconciliação, sem temor. Transformamos atos sagrados em rituais automáticos. Há quem participe mecanicamente; há quem participe indignamente; há quem se afaste imerecidamente; há quem trate com indiferença aquilo que Cristo instituiu com Seu próprio sangue. A falta de reverência, preparação e gratidão revela um coração endurecido. Hoje somos chamados ao arrependimento profundo pela maneira superficial e irreverente com que tratamos os sinais da graça. Devemos confessar orgulho, falta de perdão, falta de comunhão e falta de discernimento. As ordenanças não são meros símbolos; são encontros com a graça de Cristo. Que nos aproximemos delas em temor, alegria e profunda humildade, buscando restauração no coração e unidade no corpo.
CAPÍTULO 29 – O BATISMO
Pergunta:
Quem deve ser batizado?
Resposta:
Devem ser batizados apenas aqueles que professam fé verdadeira em Cristo, pois o batismo é sinal de união com Ele em Sua morte e ressurreição e testemunho público de arrependimento e fé.
Romanos 6:4 declara: “Fomos, pois, sepultados com Ele na morte pelo batismo, para que, como Cristo foi ressuscitado… assim também andemos nós em novidade de vida.” O batismo não produz nova vida, mas simboliza o que já ocorreu na regeneração: morte para o pecado e ressurreição para a vida com Cristo. Por isso, é destinado apenas a crentes conscientes e confessos.
Chamada ao arrependimento:
O batismo é confissão pública de uma realidade espiritual profunda, mas muitas vezes vivemos como se o rito fosse mais significativo do que a vida que ele representa. Declaramos diante da igreja que morremos para o pecado, mas continuamos alimentando práticas que já deveriam estar crucificadas. Prometemos seguir a Cristo, mas mantemos rotinas marcadas por comodismo, negligência e mundanismo. Falamos de novidade de vida, mas cultivamos antigos pensamentos, antigos hábitos e antigos ídolos. Alguns tratam o batismo como rito cultural, não como compromisso solene. Outros esquecem completamente o voto que um dia fizeram diante de Deus e de Suas testemunhas. Hoje somos chamados a confessar incoerências entre nossa declaração pública e nossa prática diária. Que reconheçamos toda área de vida que contradiz nosso testemunho, e busquemos a graça que restaura integridade, fidelidade e santidade. O batismo aponta para morte do velho homem; que confessemos todo pecado que tentamos manter vivo.
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CAPÍTULO 30 – A CEIA DO SENHOR
Pergunta:
O que ocorre na Ceia do Senhor?
Resposta:
Na Ceia, pela fé, os crentes alimentam-se espiritualmente de Cristo, lembram Sua morte, renovam sua comunhão com Ele e com o corpo, e proclamam a esperança de Sua vinda.
1 Coríntios 11:26 ensina: “Todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que Ele venha.” A Ceia é memorial da cruz, comunhão espiritual com Cristo e antecipação da glória futura. É ato sagrado que exige autoexame e reconciliação.
Chamada ao arrependimento:
A mesa do Senhor expõe com nitidez a condição de nosso coração. Quantas vezes nos aproximamos dela com pressa, desatenção ou superficialidade. Participamos por hábito, não por fome espiritual. Guardamos rancores enquanto comemos o pão da reconciliação. Alimentamos divisão enquanto partilhamos o sinal da unidade. Negligenciamos autoexame, negligenciamos confissão, negligenciamos reconciliação com irmãos que ferimos ou que nos feriram. Outros se afastam indevidamente da mesa, alegando indignidade, mas sem buscar restauração e arrependimento. Há ainda aqueles que participam mecanicamente, sem temor e sem quebrantamento. A Ceia proclama a graça que nos perdoou, mas muitas vezes participamos mantendo pecados que não queremos abandonar. Hoje somos chamados a confessar frieza espiritual, despreparo e irreverência. Que o Senhor nos conceda coração quebrantado, espírito humilde e vida reconciliada antes de nos aproximarmos da mesa. A Ceia é encontro sagrado; aproximemo-nos dela em temor, gratidão e submissão.
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CAPÍTULO 31 – O ESTADO DO HOMEM APÓS A MORTE E A RESSURREIÇÃO DOS MORTOS
Pergunta:
O que acontece após a morte?
Resposta:
Após a morte, as almas dos crentes entram imediatamente na presença de Cristo, enquanto as dos ímpios são conduzidas ao tormento. No último dia, haverá ressurreição do corpo, quando justos e injustos serão reunidos para receber sua sentença eterna.
Hebreus 9:27 afirma: “Aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disso o juízo.” Não há reencarnação, não há segunda chance. A morte sela o destino. A ressurreição revelará a glória dos remidos e a condenação dos que rejeitaram a Cristo.
Chamada ao arrependimento:
Vivemos como se este mundo fosse tudo. Acumulamos bens que não levaremos, investimos energia em glórias que não durarão, adiamos obediência como se o tempo estivesse sob nosso controle. A morte é certa, mas a vida é tratada como garantida. Muitos vivem com mais temor de perder confortos temporais do que de perder comunhão com Deus. Outros evitam pensar na eternidade para não confrontar seus pecados. Mas o texto bíblico nos recorda: após a morte, não há negociação, não há revisão, não há retorno. Há encontro com o Deus santo. Precisamos confessar nosso apego excessivo ao mundo, nossa falta de urgência espiritual, nossa preguiça em buscar as coisas do alto. Precisamos admitir que adiamos arrependimento, procrastinamos santidade e tratamos a eternidade como se fosse irrelevante. Hoje o Espírito nos chama a viver à luz da ressurreição, a ordenar prioridades, a abandonar pecados que roubam vida e a buscar tesouros eternos. A eternidade é real; vivamos como peregrinos, não como donos do mundo.
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CAPÍTULO 32 – O JUÍZO FINAL
Pergunta:
O que acontecerá no juízo final?
Resposta:
Cristo julgará todos os homens com justiça perfeita, recompensando os crentes com a vida eterna e condenando os ímpios ao castigo eterno, revelando assim a glória da justiça e da santidade de Deus.
Atos 17:31 declara: “Porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um homem que destinou.” O juízo é inevitável, universal e final. Cristo será o juiz, e ninguém escapará de Sua avaliação santa e infalível.
Chamada ao arrependimento:
O juízo final desmonta toda aparência, expõe todo segredo e revela a verdade de cada coração. Contudo, vivemos como se nunca fôssemos prestar contas. Tratamos o pecado como leve, o tempo como infinito, a santidade como opcional. Alimentamos pensamentos ocultos achando que jamais virão à luz. Mantemos práticas escondidas acreditando que Deus não vê. Construímos reputações enquanto negligenciamos caráter. O juízo nos lembra que não há máscaras, não há sombras, não há justificativas diante de Cristo. Precisamos confessar a superficialidade espiritual, a tibieza, a dureza de coração e a falta de temor. Precisamos admitir que muitas vezes tememos mais o julgamento de pessoas do que o juízo do Senhor. Hoje o Espírito nos chama ao arrependimento profundo, à seriedade espiritual, ao temor santo e à vida íntegra diante de Deus. Que vivamos cada dia lembrando que um dia estaremos diante do trono de Cristo, onde somente o que é real permanecerá.
Bibliografia
Confissão de Fé Batista de Londres de 1689. Edições: Fiel; Monergismo.
Calvino, João. As Institutas da Religião Cristã. Edições diversas: Unesp; Cultura Cristã; CEP.
Bavinck, Herman. Dogmática Reformada. São Paulo: Cultura Cristã.
Berkhof, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã