Paz Igreja, bom dia.
Devocional 2 Reis 13- 23/12/2025
2 Reis 13 é um capítulo marcado por tensão. De um lado, vemos a persistência do pecado em Israel; do outro, a surpreendente paciência de Deus em agir com misericórdia mesmo quando o arrependimento é incompleto. O reinado de Jeoacaz começa mal e segue o padrão já conhecido: ele faz o que é mau aos olhos do Senhor, mantendo os pecados de Jeroboão. Israel continua religiosamente ativo, mas espiritualmente corrompido.
Como consequência, o Senhor entrega Israel nas mãos de Hazael, rei da Síria, e de seu filho Ben-Hadade. O texto não romantiza o sofrimento: o exército é reduzido a quase nada, e o povo vive sob opressão constante. Ainda assim, em meio ao juízo, acontece algo surpreendente. Jeoacaz clama ao Senhor. O clamor não é acompanhado de uma reforma espiritual profunda, mas Deus escuta. Isso revela que a misericórdia divina não nasce da qualidade do arrependimento humano, mas do caráter gracioso do próprio Deus.
O texto afirma que o Senhor concede um libertador a Israel, permitindo um período de alívio. No entanto, o coração do povo não muda. O poste-ídolo permanece, e a idolatria segue instalada. A graça de Deus não é usada como oportunidade de arrependimento, mas como alívio temporário para continuar no mesmo caminho.
A segunda parte do capítulo se concentra nos últimos dias do profeta Eliseu. Mesmo enfermo, ele continua sendo instrumento da palavra de Deus. O encontro entre Eliseu e o rei Joás é carregado de simbolismo. O profeta manda o rei atirar flechas, sinalizando a vitória do Senhor sobre a Síria. Mas Joás atira apenas três vezes, revelando uma fé tímida, limitada e pouco expectante. Eliseu se ira, não por capricho, mas porque o gesto expõe um coração que não confia plenamente no poder e na promessa de Deus.
O capítulo termina com um detalhe impressionante: um homem morto é lançado na sepultura de Eliseu e revive ao tocar seus ossos. O milagre final do profeta aponta para uma verdade central da teologia bíblica: a vida não está no profeta em si, mas no Deus que age por meio da sua palavra, mesmo depois da morte do mensageiro.
2 Reis 13 revela um Deus que permanece fiel mesmo quando o povo é espiritualmente instável. A graça é real, o livramento acontece, mas a transformação do coração continua sendo o grande problema de Israel. O Senhor age, mas não é tratado como Senhor pelo povo.
Este capítulo confronta uma espiritualidade acomodada, que clama a Deus apenas para aliviar a dor, mas não para abandonar o pecado. A fé limitada de Joás expõe como é possível crer no poder de Deus e, ainda assim, esperar pouco dEle. Deus continua soberano, gracioso e paciente, mas a mediocridade espiritual sempre nos rouba a plenitude daquilo que o Senhor deseja realizar em nós e por meio de nós.
Oração
Senhor, livra-nos de uma fé pequena, conformada e sem expectativa. Não permitas que usemos a Tua graça apenas como alívio momentâneo para continuar nos mesmos pecados. Dá-nos um coração quebrantado, disposto a confiar plenamente nas Tuas promessas e a obedecer com inteireza. Que a Tua palavra gere vida em nós, hoje e sempre. Em nome de Jesus. Amém.
Pr. Marcello Amorim