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Devocional 2 Reis 17 – 07/01/2026
2 Reis 17 é um dos capítulos mais teologicamente explícitos de todo o Antigo Testamento. Aqui não vemos apenas eventos históricos, mas a interpretação divina da história. O reino do Norte, Israel, cai definitivamente diante da Assíria, e o texto faz questão de explicar o porquê.
O capítulo começa com o reinado de Oséias, último rei de Israel. Embora seja menos perverso que seus antecessores, ele continua andando nos pecados de Jeroboão. A raiz do problema nunca foi removida. Israel permanece com um culto corrompido, mesmo mantendo uma aparência religiosa.
Quando Oséias tenta romper com a Assíria e buscar ajuda no Egito, o resultado é desastroso. Samaria é cercada, tomada, e o povo é deportado. Israel deixa de existir como nação. No lugar, povos estrangeiros são trazidos para ocupar a terra.
A partir do verso 7, o texto desacelera e faz algo raro: um longo sermão teológico. O autor inspirado explica que tudo isso aconteceu porque Israel pecou contra o Senhor que os havia tirado do Egito. Eles temeram outros deuses, imitaram as nações, rejeitaram os profetas, desprezaram os mandamentos e endureceram o coração.
O pecado de Israel não foi ignorância, mas resistência persistente à Palavra. Deus enviou profetas “com insistência”, chamando ao arrependimento, mas o povo não quis ouvir. A idolatria não era apenas um desvio ritual, mas uma traição da aliança.
O capítulo termina mostrando os novos povos na terra, que passam a temer o Senhor superficialmente, enquanto continuam servindo seus próprios deuses. Surge uma religião sincrética, sem arrependimento, sem aliança e sem transformação. O texto conclui com uma frase pesada: “Até hoje fazem segundo os seus antigos costumes”.
2 Reis 17 ensina que o juízo de Deus não é repentino nem injusto. Ele é o resultado de uma longa história de paciência rejeitada. Quando a Palavra é ignorada repetidamente, o juízo deixa de ser ameaça e se torna realidade.
Este capítulo confronta a ideia de que basta ter tradição religiosa ou identidade espiritual. Israel tinha história, templo alternativo, sacerdócio próprio e rituais, mas perdeu tudo porque abandonou a obediência. Deus não se deixa substituir por símbolos. Onde não há arrependimento, resta apenas disciplina. A queda de Israel é um alerta permanente contra uma fé que escuta, mas não se submete.
Oração
Senhor, livra-nos de um coração endurecido pela repetição do pecado. Dá-nos ouvidos sensíveis à Tua Palavra e um espírito pronto para obedecer. Que aprendamos com a queda de Israel e sejamos um povo que anda na luz da Tua verdade. Em nome de Jesus. Amém.
Pr Marcello Amorim